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  • Daniel Monteiro

COVID-19: como um vírus vai mudar toda a dinâmica de trabalho

Ainda não está certo como será o "novo normal" nos hábitos ou relacionamentos pessoais. Mas já parece mais que garantido que a pandemia do novo coronavírus vai impactar irreversivelmente as relações e a dinâmica de trabalho.


De questões físicas e logísticas, como a flexibilização dos escritórios e o maior alcance do home office, às tomadas de decisão e mudança nos modelos de gestão, o COVID-19 já impactou profundamente a forma de lidar com o trabalho.


Seja um cenário de crise ou de retomada, a realidade mudou e quem estiver mais preparado para as adaptações necessárias poderá garantir melhores resultados no mundo pós COVID-19.


A equipe da Yellow está em um constante processo de análise do cenário atual e separou 08 insights que podem representar tendências para os profissionais e as corporações de alto desempenho. Confira!


1- Crescimento do Home Office


Das big techs à indústria, do setor público ao de serviços. O home office deixou de ser um benefício de empresas mais inovadoras e se tornou uma necessidade de toda a atividade econômica durante as últimas semanas.


O ganho de espaço do trabalho à distância deve desencadear uma série de mudanças na cultura corporativa das empresas, impactando estilo de gestão, liderança e adaptação tecnológica, citando apenas alguns aspectos mais imediatos.


Durante o período de isolamento social, várias empresas já começam a tomar decisões a respeito de suas sedes físicas. Uma mudança definitiva para o home office pode impulsionar também mercado de coworking, com empresas buscando espaços físicos para uso eventual e intermitente, inclusive buscando uma maior flexibilidade geográfica de suas operações.


Uma realidade que começa a ser estudada é a queda vertiginosa do mercado imobiliário comercial. A longo prazo, isso pode levar ao fim do conceito de "centro da cidade" e caminhar para uma aceleração na implantação de conceitos de Smart Cities, onde um dos pilares é a agilidade em deslocar-se de casa ao trabalho em distâncias de até 15 minutos.

2- Cautela nas decisões


Um cenário de pandemia já é delicado por si só. Por isso, é um momento de cautela e análises de riscos minuciosas. Decisões agressivas tendem a ser rejeitadas, já que se trata de um momento de alta sensibilidade.


Isso não quer dizer que empresas devem ter comportamentos passivos. Segundo pesquisa da McKinsey & Company, as chamadas "empresas resilientes" são aquelas que conseguem gerar valor durante a crise e a fase de recuperação.


As organizações qualificadas como tal, para o levantamento, direcionam seus esforços para controle de caixa e liquidez, reestruturam custos, replanejam o processo de vendas, protegem inovação e projetos de longo prazo e buscam investir em áreas adjacentes de alto crescimento.


Para executar essas ações é inevitável, mais do que nunca, uma análise cautelosa e um planejamento meticuloso para as tomadas de decisão.


Surge neste ponto novas oportunidades de crescimento profissional onde o equilíbrio financeiro e cautela das decisões podem passar por um ajuste de perfil ou senioridade dos profissionais e equipe de decisores nas empresas. Se abre um espaço para profissionais experientes e, por isso, a atenção às oportunidades deve ser maior para quem busca uma recolocação. Para quem já está trabalhando, uma movimentação pode ser um salto na carreira a médio prazo. Empresas que estão investindo conscientemente neste tempo de crise tendem a sair na frente em uma retomada futura.


3- Crescimento sustentável


Uma máxima começou a aparecer durante o período de isolamento social: "menos unicórnio, mais camelo". A comparação é fruto de um artigo do investidor Alex Lazarow para o site Enterpreneur.


Unicórnio é o termo usado para qualificar as startups que chegam ao valor de mercado de US$ 1 bilhão. A metáfora ganhou força e virar um unicórnio se tornou o grande objetivo de muitas startups promissoras pelo mundo. Isso levou a uma série de medidas agressivas em busca de um crescimento rápido, que se beneficiaria de um mercado pulsante e receptivo.


Adicione o coronavírus na equação e este contexto já não existe mais. A frase de Lazarow apontou um modelo mais sustentável para a nova realidade: as startups "camelos". A comparação se origina na alta adaptabilidade dos animais que sobrevivem a climas e ambientes inóspitos, mas com capacidade de explosão física quando necessário. Camelos passam pelas desafios dos desertos e saem vivos, saudáveis e mais experientes.


O artigo também ironiza os candidatos a unicórnios, já que Lazarow ressalta que camelos são animais reais, de nosso próprio mundo, e não obras de ficção. E, em um momento tão delicado como o da pandemia, a sustentabilidade é um valor mais adequado e desejado.


4- Redução do contato físico


Não só uma mudança na dinâmica do trabalho, mas uma possível revolução na lógica de relacionamento pessoal é uma das mudanças que está chegando.


As empresas que mantiverem o home office para além da pandemia terão o desafio de lidar com o modelo no longo prazo. Afinal, muitas pessoas que estão temporariamente no teletrabalho provavelmente têm alguma ansiedade sobre quando a situação voltará ao normal.


No momento em que essa mudança se mostrar estrutural, as empresas devem ter seus processos ajustados para a nova realidade afetando investimentos, custos, desenvolvimento de liderança, contratação e até mesmo relação com clientes.


O impacto que o distanciamento social tem causado nas empresa afeta também as relações comerciais. Reuniões, negociações e visitas comerciais remotas - que já eram uma prática para vários mercados - ganham força.


Oportunidades para novas tecnologias crescem neste novo ciclo que vivemos enquanto sociedade e mercado. Abrem espaços para plataformas de videoconferência, digitalização de plantas industriais em 3D com visitas digitais guiadas, experiência e treinamento por realidade aumentada e tantas outras que favorece a experiência sensitiva, sem o contato físico.


5- O papel do RH


Uma das áreas que terá seu trabalho mais afetado com no pós-COVID-19 será a de Recursos Humanos. Com o aumento do home office e a distância física da equipe, o RH terá que gerar novas formas de gerenciar cada profissional em seu pequeno universo. São mais variáveis e dificuldades que irão se impor sobre as atividades da empresa.


Acompanhar o gerenciamento de equipes, avaliar desempenho, criar ações de engajamento, promover desenvolvimento profissional e bem-estar no ambiente da corporação ganha novas camadas de complexidade nas relações remotas.


Mais do que atuar para proporcionar um ambiente ergonômico e produtivo, os profissionais de RH deverão se voltar para as ações em prol da saúde mental e psicológica buscando formas de gerar melhor humor, clima e engajamento aos propósitos da empresa.


Entramos em um momento de revolução e protagonismo do profissional de RH nas empresas e essa é a melhor hora de colocar a inovação em prática.


6- Papel da liderança


Além da mudança no RH, os gestores e líderes terão um novo papel mais forte dentro da lógica e gestão das empresas. Além das ações relacionadas ao Home office, a diminuição da proximidade física e uma nova dinâmica das atividades, principalmente em equipe, intensifica o papel do líder e suas funções.


Neste cenário, a liderança deve estabelecer os processos de comunicação dentro da equipe, acompanhar entregas e guiar o time oferecendo os meios para a melhor produtividade. Deve ser o responsável não só pelas entregas e qualidade técnica dos trabalhos, mas pela manutenção da cultura e valores da empresa.


O modelo de trabalho a distância impede um acompanhamento em tempo real das atividades, então é importante estabelecer rotinas de alinhamento contínuo para manter a proximidade da equipe. Surge a necessidade de ferramentas de gestão e cabe às lideranças o papel professoral ao seu time, ensinando tecnicamente como trabalhar com autonomia e como utilizar dessas ferramentas para melhorar a autogestão e o acompanhamento das atividades.


O papel da nova liderança pós COVID-19 será de guiar, proporcionar os meios e metodologia de trabalho e inspirar sua equipe. É provável que a figura do chefe tradicional esteja com seus dias contados.


7- Gestão Micro x Gestão Macro


Boa parte das empresas brasileiras têm por tradição realizar sua gestão focada em microgerenciamento. Isto é, um controle próximo de todas as atividades que tende a gerar um ambiente mais regrado e com menor autonomia para os colaboradores.


A rotina imposta pelo isolamento social, com forte presença do trabalho remoto, inviabiliza essa gestão de alto controle. Considerando as devidas adaptações, é possível que vejamos uma tendência de maior macro-gestão caracterizada por responsabilidades compartilhadas, maior autonomia e descentralização.


É uma forte mudança cultural principalmente em organizações mais tradicionais, mas que pode levar a uma maior produtividade em uma dinâmica de trabalho remoto. Esse tipo de adaptação pode impactar inclusive no perfil profissional definido pelos recrutadores.


Cresce a demanda por profissionais com maior visão de negócios e boa capacidade analítica. Para os gestores, cresce a necessidade de equipes que entendam o propósito de suas ações e gestores com boa habilidade de comunicação e escuta ativa terão destaque neste cenário pós-COVID-19.


8- Vendas online


Se o e-commerce já tem pelo menos duas décadas de constante crescimento alguns segmentos específicos de comércio nunca tiveram aceitação de público para promover a transição das vendas presenciais para uma versão digital.


Com o início da pandemia, comércios, mercados e padarias começaram a se adaptar para atender a esta nova demanda. Mais que isso, o isolamento forçou uma mudança no hábito de consumo para meios digitais.


Como aponta uma nova pesquisa da Opinion Box, sobre o impacto do covid-19 nos hábitos de compra e consumo, as pessoas estão tendo mais cuidados com a higiene, comprando mais de pequenos produtores, fazendo supermercado online ou por delivery, realizando reuniões por vídeo, diminuindo viagens a trabalho, etc. O mundo tem migrado para o online.


Além dos hábitos citados, há um grande crescimento nos serviços de bem-estar (exercícios físicos e meditação), nas instituições com opções de Ensino a Distância, telemedicina e nas opções de entretenimento digital, como streamings e games.


Esse cenário já está levando à adaptação do trabalho de representantes comerciais que têm a possibilidade de digitalizar seus processos de venda neste novo contexto. Surgem oportunidades para novos fluxos de vendas, além de tornar o dia de um profissional de vendas mais produtivo que consegue realizar um maior número de visitas por videoconferência do que em visitas presenciais por exemplo.


Tendo em vista as mudanças de comportamento que a COVID-19 poderá deixar, a tendência é que negócios B2B, compras de carros e imóveis, para citar alguns exemplos, terão processos cada vez mais digitais.


Para outros segmentos a digitalização seria uma grande disrupção, mas o cenário pandêmico acelerou a transformação digital. O grande desafio agora é dar continuidade à esse processo e encontrar um ponto de equilíbrio entre os meios de vendas físicas e on-line, sendo a grande tendência no pós-COVID as metodologias de vendas híbridas.


Essas são algumas das tendências que o nosso time apurou nestes primeiros meses de isolamento social. É um cenário incipiente que ainda irá gerar dados para novas análises de comportamento e projeções para tomadas de decisão.


Para acompanhar novas análises do mercado corporativo do ponto de nossos especialistas, continue de olho nas novidades da Yellow Rec!


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